A questão social tem sido muito debatida, mas pouco se procura saber sobre o assunto. O tema perpassa por diversas áreas da sociedade, entretanto, existem diferentes idéias do o que é a questão social. Alguns autores ligam a questão social estritamente à área pública, outros, à geração de empregos e renda, como instrumento de desenvolvimento social sustentável. É também na condição salarial que aparecem as fissuras responsáveis pela exclusão. Nesse cenário, a questão social protagoniza debates nas agendas internacionais, principalmente acerca dos fatores geradores de exclusão social, pois, de fato não se nasce excluído, não se esteve sempre excluído, a não ser que se trate de um caso muito particular.
O tema social pode ser visto, então, por três diferentes óticas a primeira no sentido econômico (mais investimentos, renda, empregos, empresas, etc.); a segunda através de uma perspectiva setorial, ou seja, economia, política, cultura e social sendo uma dimensão da sociedade em seu todo. Em termos concretos, ela se traduz em setores específicos da realidade de um determinado país, tais como, educação, saúde, seguridade, previdência, assistência, habitação, por exemplo. A terceira ótica diz que a pobreza e as desigualdades sociais são históricas e não são responsabilidade dos governos de turno, pois requerem um tempo longo para serem resolvidas.
Ainda no tema da exclusão, é preciso que nos atentemos também às questões divisionistas. A exclusão social torna-se apartação quando o outro não é apenas desigual ou diferente, mas quando o outro é considerado como não-semelhante. Devemos prestar atenção a todos os segmentos sociais, dando assistência para aos mais necessitados, combatendo a idéia excludente do não-semelhante. E estimular a solidariedade.
A exclusão social traduz-se pela erosão dos sistemas de proteção social, pela vulnerabilidade das relações sociais e pelo questionamento da intervenção estatal. A exclusão atinge diferentes áreas de uma sociedade: a racial, a da mulher, a rural, os indígenas, a classe operária, etc. não existe um público definido, porém, a especificidade de cada uma destas questões, agregam conteúdos a questão social. É preciso olhar a matéria de forma holística.
Atualmente existem algumas políticas sociais de cotas para incluirem determinados públicos na sociedade. Quando se propõe políticas desse tipo, têm-se em sua natureza a provisoriedade, entretanto, situações como essas são instaladas de provisório e tornam-se um regime permanente. A luta contra a “exclusão” corresponde, assim, a um tipo clássico de focalização da ação social: delimitar zonas de intervenção que podem dar lugar às atividades de reparação.
Devemos nos atentar quanto ao uso da palavra exclusão, pois, pode ser utilizada de forma imprecisa, perdendo o seu verdadeiro significado. A exclusão vem se impondo pouco a pouco como um mot-valise para definir todas as modalidades de miséria do mundo: o desempregado de longa duração, o jovem da periferia, o sem domicílio fixo, etc.. Isso pode encobrir a especificidade de cada tema, designando um número imenso de situações diferentes. Nem todas as disfunções sociais podem ser consideradas como exclusões sociais.
O grande déficit de integração tem diferentes causas, medidos por diversos indicadores políticos. Políticas sociais vêm sendo formentadas para remediar a exclusão social, porém, é preciso desenvolver programas de longo prazo, buscando curar o problema, levando o país a melhores patamares de desenvolvimendo humano. Os problemas sociais vêm se agravando com o passar dos anos, desde a crise do estado-providência. A exclusão apresenta traços comuns. Ela impõe uma condição específica que repousa sobre regras, mobiliza aparelhos especializados e se completa por meio de rituais. Através dos traços podemos iniciar a construção da identidade do problema, buscar suas causas reais e traçar planos concretos para a resolução do problema.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
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