Aquele povo que lotava as ruas com bandeiras vermelhas na mão e uma esperança de que o PT fosse modificar o Brasil deve ter dormido mal na noite em que, na Comissão de Ética do Senado, o Partido dos Trabalhadores enterrou todos os sonhos de uma geração que, recém saída de uma ditadura, investiu na legenda seus sonhos e desejos. O PT não só arquivou sua história junto com os processos de Sarney como mostrou que em pouco tempo uma agremiação política pode envelhecer a tal ponto que hoje rivaliza com o que de mais baixo e reprovável se faz na política nacional.
A rigor, o Partido dos Trabalhadores começou a agonizar ideologicamente na crise do mensalão. Não adiantou o fato de Lula ter escapado da lama que sujou toda a legenda e chamado seus antigos companheiros de aloprados. O PT, como sonho e como esperança, começou sua morte ali, sob os holofotes da TV Senado onde desfilaram todas as aberrações que levaram o partido a tentar comprar sua liderança no Congresso com dinheiro público de origem duvidosa. Não adianta dizer que ninguém foi punido. O PT puniu-se a si próprio quando concordou em abafar o escândalo que vinha do Planalto.
Hoje a esquerda brasileira faria orgulhoso qualquer general da ditadura. Uma esquerda onde o PC do B, o mesmo que mandou jovens para a morte no Araguaia, vota favoravelmente ao arquivamento de processos que arrepiam o bom senso da Nação. Em nome de uma governabilidade duvidosa, PT e todos seus aliados da base parlamentar, inclusive o descaracterizado PMDB, obedecem as ordens de Lula como marionetes de uma peça mal feita.
O PT foi sepultado na quarta-feira. Tudo que pode restar dele será a agradável lembrança de que um dia muita gente ousou pensar em mudança e ousou confiar a Lula os destinos dessa mudança. Nada mudou. Somos os mesmos com os mesmos métodos e mais malícia, agora protegidos por um verniz da popularidade e assistencialismo digno do mais renomado caudilho. O sonho acabou, e o despertar é sempre traumático.
Arquivaram a dignidade nacional ontem sob os aplausos de diversas legendas. Na realidade a questão Sarney fica bem menor diante da deslavada invasão de competências entre poderes. A decisão pelo arquivamento saiu do Palácio do Planalto e subiu a rampa do Senado sem tropeçar em nenhum obstáculo legal, o que mostra que caminhamos para um perigoso regime onde uma pessoa só dita as normas na Nação.
Diferente de Chávez, que prefere o enfrentamento, Lula age de maneira mais sutil, azeitando as engrenagens partidárias com empregos, promessas, liberação de verbas e assim vai conseguindo tocar seu Governo mantendo-se a uma saudável distância de escândalos e denúncias, mas sempre correndo em defesa de seus protegidos.
Arquivamos mais do que a dignidade política no Brasil. Arquivamos a vontade de milhões de eleitores derrotados pelo poder da corrupção.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
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