Juventude resiste à alienação
Partidos mantêm grupos de jovens que tentam mostrar a importância da política para adolescentes e "novos adultos"
Domingo, 16 de agosto de 1992. Milhares de jovens saem às ruas de São Paulo vestidos de preto e com os rostos pintados de verde e amarelo. O objetivo, tirar do poder o então presidente Fernando Collor de Mello. Hoje faz 17 anos do momento que ficou conhecido como Domingo Negro e, ao olharmos as ruas agora percebemos o vaivém de rostos limpos, completamente alheios aos assuntos relacionados à política. No entanto, alguns jovens brasileiros tentam tirar dos livros de história a participação nos movimentos políticos, mas o que antes era a luta por uma causa comum, hoje se divide em ideais partidários.
Juventude Guerreira do Partido Socialista Brasileiro (PSB): Saber usar as palavras certas é fundamental
Para a secretária estadual da Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), Berna Azevedo, 26 anos, os jovens não estão mais nas ruas porque agora eles têm oportunidade para dialogar com o governo. "O momento histórico é outro. Antes a juventude precisava ter uma outra forma de organização, precisava colocar mais a cara na rua, reivindicar os espaços de intervenção. Hoje o governo federal criou canais de diálogo com os jovens para que possam contribuir na construção das políticas, dizer quais são as suas demandas. Por isso, há uma percepção equivocada e uma avaliação pejorativa sobre a postura da juventude em relação à política. O que deve ser pautado é qual o projeto político que essa juventude, que se encontra estabelendo seus referenciais, definindo sua concepção sobre as mais diversas questões que fazem parte da vida, pretende escolher para o Brasil", afirmou.
Já para o presidente da Juventude do Partido Verde (PV) em Natal, Bruno Costa, 25 anos, os jovens estão sim, afastados das causas políticas. Ele acha que o governo dá pouca atenção às juventudes partidárias. "Os altos índices de corrupção divulgados na imprensa diariamente vêm desestimulando os jovens com relação à política. O reduto de um adolescente hoje é a escola e nós não vemos mais a força de movimentos estudantis, de grêmios. Eles deveriam estar defendendo melhorias no ensino, mas não fazem isso e ficam cada vez mais dependentes das vontades dos diretores de escolas", declarou.
Os representantes da Juventude Guerreira do Partido Socialista Brasileiro (PSB) concordam com a tese de que há um descrédito dos jovens com a política. Um dos coordenadores da Juventude, João Batista, disse que o grupo encontra muita resistência quando aborda os jovens nas comunidades para falar sobre política. No entanto, ele acredita que com as palavras certas, é possível convencê-los da seriedade do trabalho realizado por alguns partidos. "Temos pessoas filiadas ao PSB que eram completamente avessas à política antes. Por isso é tão importante ter na Juventude pessoas preparadas, qualificadas e que sejam capazes de argumentar e mostrar o trabalho feito na busca de uma sociedade mais justa", afirmou.
Embora o própósito desses grupos seja reivindicar o reconhecimento das juventudes como sujeitos de direitos, muitas pessoas se aproximam deles em busca de promoções pessoais. "É complicado, pois em época de campanha a gente percebe que muitos jovens só procuram a Juventude porque acham que a gente ganha dinheiro para isso. Não vale a pena receber por esse trabalho, pois com que cara nós vamos fazer as cobranças depois?", questionou o corrdenador da Juventude Guerreira. Para o presidente da Juventude do PV, Bruno Costa, muitos jovens acham que o partido é local para conseguir emprego. "Isso é lamentável, pois abre espaço para a corrupção", declarou.
Fonte:Diário de Natal
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