quinta-feira, 16 de julho de 2009

João Maia faz críticas ao governo estadual, mas evita ataque direto a Wilma de Faria

O presidente do Partido da República no Rio Grande do Norte, deputado federal João Maia, fez críticas aos pré-candidatos ao governo estadual que estão concentrando as suas ações em visitas a festas de padroeiras, velórios e sepultamentos em cidades do interior do Estado. Entrevistado no programa Panorama Seridó que é veiculado pela Rádio Caicó AM, o parlamentar que também é pré-candidato à chefia do Poder Executivo norte-rio-grandense fez questão de informar que antes de se apresentar como postulante ao governo, pretende apresentar um plano de governo voltado para atender as reais necessidades do Rio Grande do Norte nas mais variadas áreas administrativas.
"A candidatura a governador do Estado não é um campeonato quem vai mais a batizado, em enterro, em festa de aniversario, quem mais dá tapinhas nas costas", criticou João Maia condenando a antecipação das discussões a respeito do processo sucessório estadual por parte de algumas lideranças políticas que se esquecem de discutir os problemas que atingem o Estado.
João Maia entende que, se a classe política não se dedicar às questões que hoje afetam o desenvolvimento do Rio Grande do Norte, as futuras gerações sofrerão as consequências. "A política do Rio Grande do Norte precisa urgentemente de um projeto para todos os setores. Porque se não nós vamos nos prejudicar. Vamos elaborar um projeto de verdade", conclamou o parlamentar informando que o Partido da República deverá realizar mais dez encontros onde serão debatidos vários temas, como educação, segurança pública, saúde, geração de emprego, interiorização do desenvolvimento.
Durante o encontro ocorrido na sexta-feira em Natal, os republicanos debateram a saúde pública no Rio Grande do Norte. De acordo com o deputado federal João Maia, o setor se mostra hoje em situação caótica no Estado. Ele considerou o debate oportuno e anunciou que o partido pretende se aprofundar ainda mais nesta discussão no sentido de apresentar uma alternativa para se solucionar a crise. "Mas o que é mais importante no projeto do PR é que nós ouvimos especialistas, nós vamos levar esse debate pros bairros de Natal e para as principais cidades do Estado. Para que o povo, o que procura a saúde, o que é que ele tem a dizer sobre isso e qual o modelo da saúde que precisamos propor para o Rio Grande do Norte", disse João Maia.
Mesmo considerando que o problema na saúde pública do Rio Grande do Norte é mais uma falta de gestão, o parlamentar não interpreta essa posição como sendo a prévia de um rompimento com a governadora Wilma de Faria (PSB). João Maia assinalou que essa posição foi externada pessoalmente à chefe do Poder Executivo norte-rio-grandense durante um jantar ocorrido na residência oficial na semana passada. "Eu inclusive tive oportunidade de ser recebido pela governadora num jantar que ofereceu a mim e a minha esposa Fernanda. O que eu estou dizendo, eu digo pra ela. Minhas questões não são fechadas. Eu não tenho a cara-de-pau de dizer que a educação, que tem um secretário brilhante como Rui Pereira, está fantástica. Que a saúde está fantástica, que a segurança pública está fantástica, que a geração de emprego está fantástica. Eu não sei mentir. Nem tenho conveniência e nem convicção para sair dizendo isso. É muito fácil você dizer que não tem segurança. Mas você vai fazer o quê? Temos que mudar o jeito de gerir o Estado, de gerir a educação, a segurança, a saúde, ele é fundamental, e não é um problema dessa administração. Wilma é uma pessoa com muito compromisso com o povo. Ela gosta do povo, trabalha pelo povo, mas se não mudarmos a forma de gerir, não vai fazer muita diferença quem vai governar. Você vai me entrevistar daqui a oito anos, e vamos falar dos mesmos assuntos", assinalou o deputado do PR.


ENTREVISTA

O PR vai discutir outros assuntos do Estado, dentro da elaboração do Plano de Desenvolvimento pro Rio Grande do Norte?

JOÃO MAIA - Nós vamos fazer um Projeto de Governo. Eu não quero saber quem vai ser o candidato de quem. A aliança, vamos fazer em cima de um projeto. Nós vamos passar mais um mês discutindo a saúde. depois vamos fazer um projeto pra segurança, pra educação, pra geração de emprego e renda. Vamos discutir como interiorizar o desenvolvimento.


A discussão em torno das alianças deve começar quando, na sua opinião?

JM - Ela pode começar todo tempo. Não é errado as pessoas discutirem isso. O que é errado é que ninguém discute sobre o que nós queremos fazer. É como se o povo do Estado não tivesse a menor importância. Importante são as lideranças e os partidos? O sujeito quer ser governador do RN pra fazer o quê? Ele faz o que pela segurança pública? Pelos nossos jovens que estão se envolvendo com drogas, e destruindo as famílias? Você escutou alguma discussão sobre isso? O que o PR quer fazer é isso, e não quem é candidato de A, B ou C.


Qual seria, na sua opinião, a forma de manter João Maia, Robinson Faria e Iberê Ferreira no mesmo palanque em 2010, já que os três desejam disputar o Governo do Estado?

JM - Querer ser governador é um instinto natural de um político. É uma ambição boa, se eu me considero capaz, quero gerir o Estado. Você tem que somar, tem que procurar as alianças necessárias. Mas eu estou convencido que você tem que ter um projeto. A candidatura a governador do Estado não é um campeonato quem vai mais a batizado, em enterro, em festa de aniversario, quem mais dá tapinhas nas costas. O RN está se prejudicando e estamos falando em futuro dos filhos, dos netos. Nós temos que começar a discutir qual é o projeto. Se não vamos ficar nessa historia de quem apóia quem.


Isso é uma crítica a algum pré-candidato que ainda não iniciou seu projeto?

JM - Não é crítica não, é uma constatação. Não tem endereço específico. A política do Rio Grande do Norte precisa urgentemente de um projeto para todos os setores. Porque se não nós vamos nos prejudicar. Vamos elaborar um projeto de verdade.


Mas uma desunião dentro do sistema da governadora Wilma seria o que menos ela desejaria pro seu projeto de disputar o Senado?

JM - Eu não consigo discutir nestes termos. Eu juro. Porque sou da base de Wilma, sou um aliado de Lula. Se você olhar, 99,9% das vezes eu votei com Lula no Congresso, como deputado federal. A governadora Wilma tem procurado sempre ajudar, indicando pessoas qualificadas que possam contribuir pro Estado. O RN está naquele momento. Fomos escolhidos para sediar a Copa, temos o projeto do Aeroporto de São Gonçalo. Estamos perdendo emprego, temos regiões que precisam de projetos específicos, como o que vamos fazer pelo Seridó, Médio e Alto Oeste, Trairi e Potengi, Agreste, Mato Grande, com a região salineira, Mossoró e outros. O que vamos fazer com o turismo do Estado, pela fruticultura que está sendo esvaziada, com a mineração. Eu mesmo gostaria de discutir isso. E não de discutir o que vai ajudar o candidato, a senador A, B ou C. Nós merecemos mais respeito.
Fonte:Diário de Natal

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